terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"Capítulo 21 Part 1: É Do Senso Comum"


Boa noite meninas :)
Desculpem a demora em postar mas ando a escrever este capítulo há 3 semaninhas e embora a ideia estivesse pensada desde o inicio foi difícil escrevê-la... E com trabalhos e testes tudo se complica e com a existência de mais fics minhas pior por isso espero que entendam que até Abril (época em que entrarei em estágio) posso demorar a escrever mas tentarei publicar. Por isso obrigada pelo apoio. Beijinhos e espero que gostem e deixem os vossos comentários... Rita :)

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Pouco tempo faltava para as 13h o que significava que era hora de almoço, mas mesmo assim decidimos passear pela praia, tínhamos bastante para falar e eu não me importava de o fazer em frente á minha sogra. Sentamo-nos numa rocha meio escondida do resto da praia, o Nico sentou-se ao lado da mãe, eu sentei-me ao lado dele mas rapidamente coloquei a minha cabeça sobre as pernas do Nico e ele olha-me e faz-me festinhas na testa, e nas bochechas, eu sussurro num tom suficientemente audível para ouvirmos:

-Te amo meu rei. – Disse eu e sorrimos. Ele respondeu:

-Amo-te mi cieclo. – Fizemos uma mistura das nossas línguas maternas de maneira a completarmo-nos, comecei com a frase em espanhol e acabei em português e ele vice-versa. A minha sogra que desde que soube a notícia da minha “gravidez” que não falava, apenas sorria, não entendi o porquê sinceramente, claro que a notícia de se ser avó era sempre boa mas não era a primeira vez que o seria não entendia o porquê de tanta emoção. Falou:

-Muitos parabéns pelo meu netinho, vosso filho! Gostava que viesse uma menina por causa do Enzo mas se vier um menino ficarei feliz na mesma, o que importa é que venha perfeitinho e feliz! Ai que felicidade tão grande que não cabe no meu peito! – Fiquei sem saber o que dizer, depois de entender a emoção da minha sogra em saber da existência de mais um neto fiquei sem saber o que fazer, o que dizer, não a queria magoar, nem a ela nem ao Nico, claro que ficaria feliz se engravidasse e realizasse o meu sonho de ser mãe, mas eu não estou grávida, nunca fiz um teste de gravidez nem nada me indicava que estaria grávida mas quem saberia, até podia estar grávida e não saber. Apesar de sempre que o fiz com o Nico fizemo-lo prevenidos exceto quando o fizemos ontem, na última vez que o fizemos não o fizemos prevenidos. Por isso poderia estar grávida de bem pouco tempo, quem sabe?! Sempre me quis casar depois de ser mãe para o meu filho mais velho ser o menino das alianças e com o segundo a caminho, estando eu grávida.

-O Enzo é um amor de menino por alguma razão é meu sobrinho, sai ao tio! – Sorriu, não conhecia a faceta mais engraçada do Nico, aliás conhecia mas nunca o lado mais “convencido”, não é bem assim até porque ele é bem realista e quando tiver filhos com ele quero que saiam todos ao pai! – Estou tão contente por dar um priminho ao Enzo! E por ser pai, tamanha felicidade não cabe no meu peito! Amor porque não me disseste antes? Estás de quanto tempo do meu filhote? Isto porque tenho a sensação que vai ser um rapazão para jogar á bola com o pai e brincarmos! Vamos ter um júnior! – Desta vez não havia como mentir, podia sempre fazê-lo mas não o ia fazer, não ia dar-lhes a melhor notícia agora e mais tarde magoá-los. Não sabia como o dizer mas teria de o fazer:

-Não sei como dizer isto. – Levantei a cabeça das pernas do Nico, encostei-me ao seu ombro e ele colocou o seu braço á volta do meu corpo, dando-me um abraço, fechei os olhos e disse-o, quase sem entender como teria coragem para tal. – Eu só disse aquilo para afastar a rapariga, ela enervou-me e disse que era demasiado para ti, talvez seja mas a ideia de perder-te assusta-me, mas se algum dia tivermos de nos separar para tu seres feliz eu não hesito. – Ele deixou cair a mão sobre o areal, afastei-me dele e ele saiu dali a correr, não sabia se o haveria de seguir e apenas gritei enquanto ele se afastava. – Nico, Nico! – A minha sogra afastou-se e seguiu-o, fiquei ali sozinha numa altura em que precisava de alguém, tinha magoado o homem da minha vida e a minha sogra, tinha-o desapontado.
Deitei-me no chão e comecei a chorar, lembrei-me de cada momento que passamos juntos, de tudo o que aprendi e vivi a seu lado, magoava-me ter-lhe feito isto. Fiquei assim durante horas, nunca tamanha dor me tinha atravessado o peito por amor, não sou de chorar quando o peito me dói, não sou mesmo, prefiro guardar o meu rancor, a minha dor e o meu ódio até um dia quem sabe chorar todas as lágrimas que não derramei, não é por não crer sofrer exteriormente, eu simplesmente não consigo… Quero demonstrar sempre que sou forte, não consigo dar a minha parte fraca, mas foi impossível não chorar desta vez, tinha perdido o homem que mais amo no mundo por uma parvoíce, por uma atitude criança, queria poder-lhe dizer o quanto estou arrependida mas não consigo, ele fugiu de mim e eu não tenho forças nem coragem para o enfrentar, eu amo-o mas se o visse neste momento seria destrutivo para os dois. Eu não merecia uma segunda oportunidade mas lutaria por ela até á exaustão, ele arranja alguém melhor que eu é verdade mas não o quero deixar fugir! Eu amo-o, e não aguentava perdê-lo como perdi o meu avô!


Levantei-me, limpei as lágrimas que haviam corrido no meu rosto durante as últimas horas e tentei endireitar a minha roupa e as minhas feições, a minha vontade era ir de encontro ao Nico e dizer-lhe que o amava e que queria casar com ele, que lamentava com todas as letras e com todo o sentimento tudo o que havia causado mas como será que ele reagirá a esta atitude? Será que perdoa e esquece como eu ou será que demora a perdoar, acaba por fazê-lo e depois não esquece? Só nos conhecemos há 3 meses já sei um pouco sobre ele mas nunca soube como reage a discussões e conflitos, eu não queria perdê-lo, não por minha culpa, aliás por culpa alguma, queria ficar com ele eternamente! Não podíamos ficar assim depois de ele me pedir em casamento e de eu não lhe responder.
Não o podia perder, mas tinha feito tudo para o perder, só queria afastar a rapariga e acabei por afastar o homem da minha vida. Limpei as lágrimas, não sei onde estaria nem o que faria por ele mas estaria disposta a lutar por ele com todas as minhas forças, estaria disposta a lutar contra mundos e fundos até ele me aceitar de volta, aliás para me perdoar por tudo o que lhe havia feito, só desistira quando ele me dissesse olhos nos olhos: “Não te perdoou” e aí sim ficaria com o coração destruído, reduzido a cinzas mas saberia exatamente o amargo sabor dos meus atos terem consequências mas nunca a um ponto tão extremo infelizmente, eu não merecia mas acima disso ele não merecia!
Andei e reencontrei-o, estava sentado e a mãe dele ao seu lado, continuava a chorar, a sua mão estava do seu lado e com uma mão no seu ombro, tentava acalmá-lo e enquanto me aproximava ela olhava para mim e fazia sinais para não me aproximar, eu sabia que podia estragar tudo mas preferia tentar a desistir. Aproximei-me, ela levantou-se, agarrou-me no braço e fez com que nos afastássemos um pouco dele.

-Ritinha antes de te julgar diz-me por favor o porquê de teres feito o que fizeste. – Olhou-me olhos nos olhos e não aguentei tamanha pressão, abracei-a e comecei a chorar e entre soluços disse:

-Dona Maria, reagi sem pensar… - Inspirei e apertei ainda mais o meu, precisava de me sentir apoiada. Assoei-me á manta esquerda da minha camisola e tentei ao máximo esconder as minhas lágrimas mas elas continuavam a escorrer pela minha face. – Tenho medo de o perder. – Ela deu-me um beijo na testa e respirei bem fundo e acabei de falar. – Não pensei no que disse e tenho demasiado medo de o perder nem que seja para uma fã. – Olhei para o Nico e a sua cabeça estava levantada a olhar para o mar mas nem mesmo assim as lágrimas continuavam a escorrer-lhe pela cara, estava magoada com o que havia dito mas vê-lo naquele estado por minha culpa destruía completamente o meu coração.

- Mas acabaste por o fazer. – Afastei-me do seu abraço e aproximei-me dele, sentei-me ao seu lado encostei-me a ele e a mãe ficou com distância suficiente para se algo de mal acontecesse ela estaria ali para nos ajudar mas com distância para não ouvir a conversa. Ele afastou-se logo um pouco de mim, só uns centímetros e encostou a cabeça aos seus braços que estavam sobre as pernas fletidas.

-Nico perdoa-me por ter feito o que fiz, só o fiz porque tenho medo de te perder. – Não o ouvia e ainda demorou algum tempo a responder mas assim que o fez, respirei bem fundo e o coração deixou de ficar tão apertado, ele teve coragem de responder:

-Agora quem não sabe se confia em ti sou eu. – O aperto voltou para o meu coração. Ele não me perdoava e eu não conseguia sequer pensar na ideia de o perder. Abracei as minhas pernas e chorei sem limitações, ele aproximou-se da mãe e chorou como se não houvesse amanhã. Levantei-me e recompus-me, aproximei-me deles. Estavam abraçados e eu coloquei a minha mão sobre o seu ombro esquerdo, ele virou-se para mim e olhamo-nos olhos nos olhos e eu disse:

-Pelo menos dá-me um beijo de despedida. – Ele olhou-me mas não avançou por isso aproximei-me dele e beijei-o, ele não recusou, aliás prolongou ao máximo, até nos faltar o ar. Ficamos abraçados durante uns segundos e eu sussurrei-lhe ao ouvido. – Promete-me que não me esqueces nunca. – Ele limpou as lágrimas e sorriu. Respondeu:

-Estás a pedir o impossível bebé. – Beijou-me a testa. – Eu amo-te e não te quero perder, preciso apenas de esquecer o que fizeste. - Deu-me um beijo na bochecha. – Preciso apenas de tempo tenta compreender. – Apertei aquele abraço ao máximo e sussurrei:

-Te amo meu amor. – Despedi-me do Nico e sai da praia, limpei as lágrimas e chamei um táxi para ir até casa. Não queria que ninguém soubesse o que havia passado, não queria falar sobre tal. A viagem foi correndo e eu tentava não chorar mas não conseguia animar-me, acabei por conversar com o senhor para me tentar distrair, e as músicas também me animavam. Cheguei a casa, paguei ao motorista e recompus-me, não queria que soubessem que estive a chorar, preferia guardar todo a dor para mim. Ainda me maquilhei antes de entrar para o prédio na esperança de “camuflar” a dor que me batia forte no peito ardente. Subi e mal pus a chave á porta gritei:

-Cheguei. – A casa estava deserta, ouvia-se os pássaros cantar apenas, mas percebi logo que não haviam saído á muito. O quarto do meu irmão estava um pouco desarrumado, algo característico dele, quando se despachava para ir para o treino deixava tudo um pouco desarrumado, mas as camas e o resto da casa estavam arrumados, o meu quarto estava… Vazio! Estava “desabitado”, não visitava a minha casa á muito tempo, eles últimos 3 meses tinham sido quase inteiramente dedicados ao Nico. Arrumei o quarto do meu irmão, preparei o meu jantar, uma pequena sandes de atum e bebi um sumo, mas rapidamente me enjoei e vomitei tudo. Tomei banho e vesti-me, queria algo suficientemente discreto para ninguém me “chatear” a cabeça. Mas primeiro preparei uma pequena mala com a carteira, chaves (de casa e do carro), o meu telemóvel, os fones e um caderno e canetas porque estava inspirada a escrever um poema, nem que 
fosse para desabafar sobre os meus sentimentos.



O caminho ainda era longo feito a pé, mas quem sabe não seria perfeito para pensar no que fiz, claro que a música me acompanhou todo o caminho. Mas houve uma em especial que me encantou e me fez pensar várias vezes porque a ouvi até saber a música de cor, e não a conhecia, tinha sido o Nico a enviar-me para o telemóvel e ainda não tinha tido tempo de ouvi-la atentamente:

It all comes down to this
I miss your morning kiss
I won't lie, I'm feeling it
You don't know, I'm missing it
I'm so dumb I'm must to be
It's too much to hold it in
I can't say no more than this
I just hope your heart hear me now
I let you know how I'm feeling
You own my heart he just renting
Don't turn away, pay attention
I'm pouring out my heart oh boy”

“I-I, I'm not living life
I'm not living right
I'm not living if you're not by my side
Oooh-ohhh”


Embora a música fosse um pouco animada e eu quisesse tudo menos sorrir neste momento, acabei por cantá-la um pouco antes de chegar ao treino do meu irmão, já ia sensivelmente a meio e assim que lá cheguei desliguei a música. Assim que muitos me viram abraçaram e cumprimentaram, tinham sentido saudades minhas e eu também tinha sentido deles, mas neste momento de quem eu mais sentia saudades havia perdido por minha culpa. Os meus pais também lá estavam e ficaram contentes com a minha “surpresa”, mas rapidamente a minha mãe me agarrou no braço e levou para um local mais escondido e isolado, queria falar comigo e assim o fiz embora o que menos quisesse naquele momento fosse conversa, aliás só queria chorar mas não ia demonstrar isso mesmo, guardaria todo o sofrimento para mim, ou quem sabe mais tarde falar com as minhas amigas: Ana Santos ou Beatriz Almeida, ou até mesmo á Maria que desde que anda com o James que não tínhamos falado muito, por falta de tempo ou oportunidade mas não deixaria de ser minha amiga nem que não nos falássemos durante anos, a minha prima Qeu que apesar de todas as dificuldades com o Ezequiel e da gravidez não deixaria de ser minha amiga, prima e irmã, considerava mesmo que era aquela que nunca tive. A minha mãe falou:

-Rita preciso que sejas totalmente sincera e frontal comigo… - Fiquei preocupada mas não teria medo, afinal era a minha mãe, confiava nela.

-Chuta mãe. – Disse descontraidamente embora tivesse medo do que a minha mãe diria.

-Tu e o Nico… -Fez uma pausa e eu não estava a compreender a sua conversa. Olhei para ela e não quis continuar por isso fui obrigada a falar.

-Sim? – A minha mãe escondeu um pouco a cara e falou:

-Tu e ele chegaram a vias de facto? – Gelei com essa pergunta, não a esperava mas como mulher sempre com a resposta na ponta da boca acabei por fazê-lo:

-Isso é uma coisa pessoal que só me diz respeito a mim e a ele e não te vou dizer, és minha mãe mas ele é meu namorado. – A minha mãe olhou para mim pasmada, pensava que lhe dizia mas eu não o queria fazer, havia sempre algum constrangimento nesta área.

-Mas eu sou tua mãe tenho o direito de saber.

-Mesmo se o tivéssemos feito não to diria porque tenho juízo e nos preveníamos. E não é coisa que se ande a contar aos sete ventos. – Não queria mentir-lhe por isso fui obrigada a quase mudar de assunto ou fingir-me de muito ofendida. Já o havíamos feito mais que uma vez e não estava arrependida mas não queria partilhar algo tão íntimo não por não confiar nela mas pelo parentesco que nos unia.

-A partir do momento em que o mister dele diz que tem problemas sexuais deixa de ser do foro íntimo e passa a ser do senso comum. – Disse ligeiramente irritada. – Por isso não tentes dar-me a volta e responde com frontalidade porque sou tua mãe e tu és mulher suficiente para o fazer.

Que irá responder Rita? Como irá reagir a mãe?
Como ficará a relação de Rita e Nico depois do conflito da gravidez?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

“Capítulo 20: Sim! Chama-me Rita Gaitán”



-Osvaldo Nicolás! – Gritei! Embora esperasse o pedido de casamento não esperava desta forma tão original. Estava radiante, nas nuvens mas nunca pensei receber um pedido de casamento tão original e depois de 3 meses de namoro principalmente do meu ídolo! Já imaginei várias vezes pedidos de casamento mas nunca me passou pela cabeça esta ideia, e porém também gosto do toque tradicional. O rapaz ajoelhar-se e pedir a futura noiva em casamento. Corri até junto da minha sogra, abracei-a e dei-lhe imensos beijos na cara. Comecei aos saltos pela cozinha enquanto a ajudava a arrumar a cozinha. A minha sogra disse:

-Bom dia minha filha! – Já me sentia parte da família da minha sogra. – Já vi que estás muito bem-disposta nem preciso de perguntar o porquê. – Continuei entretida a arrumar a cozinha muito bem-disposta e respondo:

-Bom dia Dona Mi estou contente porque sou a mulher mais feliz do mundo! O seu filho pediu-me em casamento de uma forma bastante original, cada vez estou mais apaixonada por ele! Tenho de lhe ligar. – Corri até ao quarto e peguei no telemóvel, tocou, tocou e tocou e nada de atender, já deveria estar em treino. Fui até á sala e disse á minha sogra:

-Dona Mi o seu filho não atendeu já deve estar em treino e eu a morrer de saudades dele já viu a minha vida?! Vou tomar banho e despachar-me depois vamos ter com ele ao treino não se importa? Não aguento esperar sossegada em casa. – Acenou negativamente com a cabeça. Fui até á casa de banho do nosso quarto e tomei o meu banho rapidamente.
Vesti-me e voltei para a sala, a minha sogra já estava vestida por isso foi rápido até sairmos de casa, claro como preocupada que era e sabia que só tinha um leite com chocolate no estômago preparou um pequeno-almoço simples mas reconfortante, uma maçã vermelha como as que tanto gosto, uma sandes com manteiga, o pão ainda estava quentinho o que significava que alguém o havia comprado logo pela manhã, e deu-me algumas bolachas caseiras. Saímos de casa e eu decidi levar a minha sogra até á beira do rio, mas perto do centro de estágios, não queria estar longe do Nico, queria estar cada vez mais próxima dele e tinha medo de ele sair cedo do treino e não nos ver. A atenção que tomava ao que a minha sogra me dizia era nulo, estava concentrada nos meus pensamentos, nas minhas emoções e sentimentos, tamanha felicidade estava entranhada no meu sangue, ele estava cada vez mais presente em mim, já não me imaginava nunca sem ele, era como pedir a alguém para viver sem ar, tal era impossível. Como não vivia sem oxigénio, também não vivia sem ele, não merecia tamanha felicidade e uma pessoa assim a meu lado, quantas vezes me perguntei porque tinha aquela oportunidade de ser tão feliz, de ter um homem com tantos valores e princípios a meu lado. Como era possível ele amar-me? Não é falta de confiança, apenas sei que já tive e perdi e o medo de o perder era avassalador, queria viver todas as emoções a seu lado, já vivi tantas e aprendi com elas, aprendi a verdadeira definição de amar, aprendi que basta acreditar e lutar para os nossos sonhos se tornarem realidade. Vivi experiências incríveis e quando digo isto não foi só perder a minha virgindade e descobrir o prazer, fui pedida em casamento e descobri realmente o que é o amor e tudo o que ele nos pode dar e tirar. Mas tenho de falar com ele, já falamos algumas vezes sobre o futuro mas tinha de o informar quais eram os meus sonhos e ambições…

(Recordação)

-Amor, amor… - Estávamos deitados no sofá, estava sobre ele e a fazer-me festinhas na bochecha. Ele olhou para mim. – Nunca me disseste quais são os teus sonhos e ambições. – Ele olhou para mim e sorriu.

-E tu nunca me disseste os teus. – Deu-me um beijo na testa. Apagou a televisão e ficamos assim a desfrutar o momento.

-Pois não já te digo mas primeiro tu que fui eu que falei primeiro. – Queria saber em primeiro lugar as suas ambições e sonhos não só como profissional mas se pensaria em mim no futuro.

-Bem… Como profissional quero dar mais títulos ao Benfica e crescer como jogador e pessoa depois sim penso na saída. Quanto pessoa quero melhorar, quero tornar-me um melhor tio, um melhor filho, um melhor irmão, quero ser um homem melhor e um melhor namorado. Quero casar-me com a mulher da minha vida e ter filhos com ela, muitos de preferência. E quero que sejas tu a pessoa que me vai acompanhar durante o resto da minha vida… - Paralisei, amava-o o suficiente para imaginar o nosso futuro juntos mas não estava preparada para ouvi-lo. – E tu meu amor?

-Eu? Não esperava ouvir isso da tua boca, amo-te o suficiente para imaginar o nosso futuro mas tu tens o dom de me surpreender e voltaste a fazer. – Ele sorriu. – Quero casar-me pelo registo e pela igreja, terminar o meu curso, arranjar um emprego, melhorar como pessoa, mulher, mãe, irmã, filha, neta, madrinha, afilhada e prima, quero realizar os meus sonhos, ser mãe, de muitos filhos e dar-lhes a educação que me deram a mim, a melhor. Já encontrei uma pessoa pela qual vou lutar para ficar com ele até ao resto da minha vida.

(Fim da recordação)

A minha sogra “despertou-me” do meu sonho porque já estava perto da hora de saída do treino, e fizemos o percurso a pé até ao centro de treinos. Queria dar-lhe uma resposta original mas só me lembrei quando estava muito em cima da hora e ideias originais escasseavam-me, a minha t-shirt também demonstrava um pouco do sentimento que nutria por ele.

Fui até ao carro e peguei numa folha de papel, se ele me pediu em casamento de forma original eu também lhe iria pedir de uma forma original. Escrevi no papel:

“Sim! Chama-me Rita Gaitán”

Existia pessoas há porta do local, mas não muitas, a minha relação com ele ainda não era conhecida por nossa opção…

(Recordação)

-Amor eu quero muito apresentar-te ao pessoal do clube, apresentar-te á minha família, aos meus amigos, aos meus fãs, e ao mundo! – Dizia ele quando estávamos em frente ao mar a desfrutar o momento.

-Mas não achas que é cedo? – Faria tudo para ficar com ele até ao meu último respirar mas tinha medo que se não conseguíssemos vencer todas as batalhas o meu coração parasse de bater, não teria força nem coragem de continuar a viver.

-Eu sinto-me preparado para te apresentar a todo o mundo, ainda não conheces a minha família porque estão na Argentina mas quando lá for tu vais comigo e vou-te apresentar o meu país e todos os que amo e lá estão. Não queres que ninguém saiba que tu estás na minha vida?

-Eu quero e muito! Quero que toda a gente te conheça porque me orgulho muito de ti e do que sinto por ti, do que nos une. Mas estamos juntos há tão pouco tempo…

-Há precisamente mês e meio! Comemoramos hoje. Parabéns meu amor! – Beijamo-nos.

-Vamos dar mais algum tempo á relação depois pode ser. – Ele acenou positivamente com a cabeça e ficou a promessa de um dia todos me conhecerem como namorada dele, por enquanto ficaríamos assim.

(Fim da Recordação)

Pedi ao segurança para me avisar quando tivesse terminado o treino, ele assim o fez. Não iria entrar no carro com os fãs á pedirem-lhe autógrafos. O segurança avisou e eu liguei-lhe. Rapidamente me atendeu:

-Olá mulher da minha vida! – Disse alegre e ouvi logo um “Uhuh” nos seus colegas e ele rapidamente os mandou calar. – Desculpa amor mas já sabes que eles são piores que as mulheres! Ligaste-me á pouco?

-Olá homem da minha vida! Sim liguei para dizer que o leite estava bom mas não o bebi todo e porque saíste e nem deste um beijinho á tua mãe! – Ia fingir que não tinha visto o pedido para depois a surpresa ser maior.

-Está bem princesa. Olha queres ir almoçar onde?

-Estou com a tua mãe á porta do Caixa. Existe aqui algumas pessoas á espera dos seus jogadores mal sabem que estão ao pé de uma namorada!

-Só não sabem porque não queres! Então passa o telefone ao segurança para vos deixar entrar.

-Deixa amor. Nós apanhamos-te aqui na entrada.

-Está bem meu amor. Já sei onde vamos almoçar, em Lisboa á beira-mar.
Desligamos a chamada depois de ficarmos mais alguns minutos com “mel”. Uma fã alta, com ar de arrogante, bonita mas ar de superior, algo que nunca tolerei. Ouviu a conversa e aproximou-se de mim e disse:

-Ouve lá és tu a namorada do Gaitán?

-Sim queres um autógrafo dele é? – Sempre tentei ser simpática para todas as pessoas mas quando ela começou a ser arrogante para mim fui do mesmo modo.

-Não vinha só dizer-te que ele é demasiada areia para a tua camioneta.

-Isso deve ser uma piada. E mesmo se fosse verdade o que terias a ver com isso?

-Tenho mais do que possas imaginar.

Começamos a discutir, aquela rapariga começava a tornar-se irritante, mas tentei ao máximo acalmar-me e a Dona Mi também me defendia. O Nico chegou junto a nós mas eu nem entendi e irritada decidi dizer:

-Tu não me enerves que estou grávida! – Não sei o que me passou pela cabeça mas disse-o. A minha sogra e o meu futuro noivo ouviu, ficaram pasmados a olhar para mim. Entramos no carro e saímos dali para fora. Pedi ao Nico a carteira e coloquei lá o meu papel com a resposta ao seu pedido de casamento. A viagem até á praia seguiu pacificamente, tentamos não abordar o tema da gravidez, só falaríamos sobre ele com calma. Almoçamos e depois fomos passear pela praia, onde abordaríamos o tema do bebé e da minha “gravidez”.

Como irá reagir Nico e Dona Mi á “gravidez” de Rita?
Será que a “gravidez” é verdadeira? Será que vai ver a resposta ao pedido de casamento?

sábado, 5 de janeiro de 2013

Capítulo 19: "Queria Pedir-vos Permissão para Pedir a Rita em Casamento"

Abri a porta do meu prédio e subi até ao andar, ia de mãos dadas com o Nicolás e a mãe dele pouco atrás, um nervoso miudinho corria em mim, na minha sogra o mesmo acontecia, ao contrário do Nico que estava calmo e sereno, aliás sorria de felicidade, já o conhecia suficientemente bem para dizer que não era de nervos mas de um á vontade um pouco estranho. A relação era tão recente mas ao mesmo tempo gostávamos tanto um do outro, vivemos tantas emoções mas será que era cedo a minha sogra conhecer os meus sogros? Ninguém sabe responder a esta questão mas já que surgiu a oportunidade vamos aproveitá-la, não é todos os dias que a minha sogra nos visita! Abri a porta e veio a correr até ao meu lado o meu irmão, deu-me dois beijinhos e disse:

-Olá mana! Estava cheio de saudades tuas! Já vi que trouxeste o meu cunhadinho, não se largam com tanto mel! – Eu e o Nico sorrimos. – E quem é esta senhora que vos acompanha? – Perguntou o meu irmão referindo-se á minha sogra.

-A minha sogra, dona María mas podes chamar-lhe Dona Mi, aliás é assim que prefere. – O meu irmão cumprimentou e eu apresentei-os, seguimos até á sala onde estava os meus pais e o meu irmão, estavam aconchegados no sofá, cobertos com uma manta e uma temperatura bastante agradável na sala. Assim que me viram cumprimentaram-se ora com dois beijos ora com “passou-bem”, sentamo-nos no sofá ao lado da televisão e eu apresentei a minha sogra aos meus pais:

- Mamá, papá les presento a la mujer responsable por el nacimiento de Nico, mi suegra, Dona Mi. (traduzido: Mãe, pai apresento-vos a mulher responsável pelo nascimento do Nico, a minha sogra Dona Mi.)
Sentamo-nos no sofá e começamos a falar, uma conversa bastante animada, perdida entre o espanhol e o português, outras vezes falávamos em inglês, o tempo foi passando e depois de tanta conversa o sono começa a afetar-me, encosto a minha cabeça às pernas do Nico e aos poucos o sono começa a vencer-me, o meu namorado cobre o meu corpo com uma manta, dá-me um beijo na testa e diz aos meus pais:

-Queridos sogros agora que a mulher da minha vida. – Fiquei sem reação não esperava que ele me tratasse assim junto aos meus pais e irmão, mas fingi estar a dormir para ouvir o que se tratava. – Está a dormir queria falar-vos da minha ideia mas primeiro queria pedir-vos permissão para pedir a Rita em casamento. – Gelei. Não foi o meu corpo que gelou mas a minha alma ficou mais petrificada que um iceberg, já tínhamos falado em casamento mas não esperava um pedido, não tão cedo, ainda sou nova, ainda sou muito jovem e a nossa relação só tem 3 meses, o sentimento é muito forte e tanto nos une, já vivemos muito juntos mas não sei estou preparada para este compromisso tão sério e como vejo e tenho conhecimento de muitas pessoas que se casam e mais tarde se divorciam acho que a maior ligação que pode existir entre duas pessoas é mesmo serem pais, porque isso e algo que não dá para desistir, que une duas pessoas para sempre. Mas claro que aceitaria o pedido do Nico, claro que aceito casar-me com ele, e quero muito que esse dia aconteça, que seja tudo perfeito, como sempre sonhei. Ou pela igreja num grande vestido branco, com a igreja com muitas pessoas, e tudo apaixonante, talvez um dos dias mais felizes da minha vida. Ou talvez quando me case pelo registo, isto porque me tenciono casar das duas formas possíveis. Sempre tive o sonho de um filho meu ser o menino das alianças no meu casamento.

-Tu queres casar com a minha filha Gaitán? – Perguntou o meu pai em choque, notei pelo seu tom de voz que estava algo chocado com essa ideia, talvez nunca esperasse que a filha aos 18 anos fosse pedida em casamento.

-Gaitán é aquele rapaz que joga futebol pelo Benfica, eu sou o Nicolás ou Nico. Sim, quero muito casar com a sua filha. – Concluiu o Nico. Não podia ter qualquer tipo de reação porque para todos eu dormia pacificamente, mas aquela notícia cai-a que nem uma bomba para mim.

-Tens a certeza Nicolás? Vocês estão juntos há tão pouco tempo e são tão novos. – Disse a minha mãe que sempre foi cautelosa no que conta aos sentimentos e relações e claro ver a sua filha noiva e mais tarde casada e ainda nem 20 de vida ter vividos.

-Eu amo a sua filha como nunca amei ninguém e vou fazer os possíveis e impossíveis para lhe dar tudo, e para continuarmos juntos e um dia mais tarde dar-vos a feliz notícia que vão ser avós. – O meu irmão que estava ao meu lado tocou na minha perna esquerda que era a única que estava pousada sobre ele, causou-me arrepios, ia ser muito difícil deixar de viver junto ao meu irmão e da minha família para viver uma vida só com o Nicolás, e não só, se ele fosse transferido para outro clube e país como ficaria eu? Deixaria a minha vida para trás e viveria apenas para um “nós”. Significava deixar a minha família, os meus amigos, a minha escola, eu sei que o amo para chegar a esse ponto mas tenho medo que algum dia não resulte e eu fique sem forças para lutar. Mas ao mesmo tempo não aguentava tanta felicidade no meu coração.

-Parabéns Nico, mas olha não é fácil aturar a minha irmã às vezes. – Disse o meu irmão, muito querido como se entende! A preocupação deveria ser dar os parabéns e desejar as nossas felicidades mas não retira um pouco a emoção do momento.

-Não digas isso cunhado, nós gostamos muito um do outro e já tenho isto em mente há alguns dias mas só há pouco tive a ideia exata do que vou fazer. Vai ser algo muito, muito especial. Tenho a vossa permissão sogros e cunhadinho? – Não sabia o que pensar, o que fazer, talvez quisesse abrir os olhos e dizer tudo o que a minha mente e o meu coração me dizia para o fazer mas por outro lado não ia deixar tudo a perder.

-Depois de me prometeres uma coisa tens a minha autorização e penso que também falo em nome da minha mulher. – Abri um pouco o olho esquerdo de maneira a espreitar, e a minha mãe acenou positivamente com a cabeça. O meu pai continuou o seu raciocínio. - Tens de me prometer que vais fazer tudo para a Rita ser feliz, que vais trata-la como merece e que apesar das dificuldades, das fases boas e das fases menos boas nunca a vais abandonar. – O meu pai preocupava-se comigo, eu era a sua única filha e também a mais velha, entendia a sua preocupação e claro só me deixava ainda mais orgulhosa.

-Ainda somos jovens e conhecemo-nos e namoramos há pouco tempo mas eu sei que faria tudo por ela, que vou fazer de tudo para nunca a magoar ou desapontar, que vou lutar até depois da exaustão para que sejamos felizes. Vou amá-la até depois do meu último suspiro, porque o corpo e o meu coração podem parar de viver mas há uma parte de mim que vai ser eternamente da sua filha. Eu amo-a muito.

-Eu prometo que farei tudo pela vossa filha e pelo nosso amor, para sermos felizes até ao nosso último suspiro e que lutarei até á exaustão para sermos felizes.

-Prometo que lutarei até á exaustão pela vossa filha, para fazê-la feliz todos os dias até ao resto da nossa vida! É verdade que estamos juntos apenas há 3 meses e que ainda somos jovens, temos uma vida para viver, temos muito tempo para aprender mas eu gostava que isso acontecesse juntos. Vou amá-la até depois do meu último suspiro, porque o que sinto transborda do meu coração, não me corre nas veias, está marcado no meu coração e na minha pele. – Não entendi o que ele tinha dito com aquelas palavras, por isso abri um pouco os meus olhos de forma a ver o que se passava mas que ninguém entendesse que estava acordada. Ele levantou a manga da sua camisola e mostrou no pulso uma tatuagem com dois trevos de 4 folhas e um coração.


Não acreditei, não acreditava em nada que os meus olhos me demonstravam, não acreditava no que via, tanta felicidade e tanto sentimento que vivia, não era humanamente possíveis, eu não merecia tudo o que aquele homem me dava, me fazia sentir, tudo o que ele simbolizava para mim, aqueles 3 meses foram, pelo que senti e por tudo o que vivi, quase como o início da minha vida. No meu pulso tenho uma tatuagem com um trevo e no meu pescoço anda sempre comigo um colar com um trevo que a minha madrinha deu-me ainda em pequena e que nunca o largo, anda comigo, é com um objeto da sorte mas com muito significado ao mesmo tempo. Com a tatuagem que o Nico tinha feito só podia haver um significado, nada trevo significava um de nós e o coração era e é o sentimento que nos une, tanta felicidade era extraordinária, era uma surpresa tão romântica, tão especial e eu não merecia tudo aquilo…





Aconcheguei a minha cabeça na perna do meu futuro noivo, onde a minha cabeça estava pousada e adormeci. Mas passado pouco tempo acordo com o Nicolás a tocar-me no braço e a minha mãe baixa ao meu lado com um saco ao meu lado. Olhei para ela e sorri, a minha mãe sorri e fala:

-Desculpa acordar-te amor, mas já está a ficar tarde e amanhã vais ter um dia preenchido. O Nico já falou connosco e vais dormir a casa dele mas tem juizinho que não quero ser avó quando ainda tenho idade para ser mãe. – Corei. Não sabia o responder por isso espreguicei-me, levantei a cabeça da perna do Nico e dei-lhe um beijo rápido nos lábios, que nem deu para matar saudades nem de perto ou de longe agradecer pelo pedido que pediu aos meus pais, por tudo o que me fez sentir, viver, amar, por tudo o que ele significava para mim. Agarrei no saco despedi-me dos meus pais, e fui até ao quarto do meu irmão, dei-lhe um beijo na testa e sussurrei-lhe:

-Até amanhã mano. Gosto muito de ti. – Assim que me viro, dou de caras com o Nico, coloca as mãos sobre o fundo das minhas costas e beija-me o pescoço, sorriu e dou-lhe um beijo no canto dos lábios, a intenção era dar-lhe um beijo nos lábios, mas a escuridão daquele quarto impede-me de acertar. Ele sussurra-me:

-Também gosto muito de ti minha futura noiva. – Não sabia o que responder. Beijei-o nos lábios fugazmente, pousei as minhas mãos no seu peito e respondi:

-Estava a falar para o meu mano mas também serve para ti meu futuro noivo. – Acariciei a sua bochecha e depois coloquei o dedo indicador sobre os meus lábios, não queria de forma alguma que ele desconfiasse que tinha ouvido parte da conversa. – Espera aí… Futura noiva? Há alguma coisa que eu não saiba? – Ele sorriu e respondeu:

-Não sei. – Afastou o dedo dos meus lábios e encostou os nossos lábios num beijo calmo mas muito sentido. – Vais ter de esperar para saber. – Fiz beicinho, mas ele sorriu. Fomos de mãos dadas até á porta de casa, despedimo-nos dos meus pais, inclusive a minha sogra que adorou os meus pais. O Nico agarrou no saco e fomos até ao carro. Depois de estarmos prontos, começamos a viagem até casa do meu amor, ou posso dizer babada da nossa futura casa, porque depois do casamento tenciono ir viver com ele. A viagem correu bem, correu rápido, ou melhor, eu mal a vivi, estava com a cabeça num mundo completamente diferente, pensava no meu futuro, no meu casamento, no Nico em tudo, e só despertei quando a minha sogra me tocou no braço e o meu futuro noivo a abrir a porta do lugar onde estava e estender-me a mão para sair.
Sai do carro e o Nicolás abriu as portas até chegarmos ao interior da sua casa, depois de instalarmos a Dona Mi e de nos certificarmos que estava cómoda fomos até ao nosso quartinho, fui até á casa de banho do quarto vestir o pijama, enquanto ele ficava no quarto a vestir-se, um pijama que a mãe lhe deu na Argentina, antes dele se mudar definitivamente para Lisboa, ou seja de se transferir para o Benfica, disse-me ele.  
O pijama que a minha mãe preparou era um tanto ou nada diferente daquele que esperávamos, ou melhor daquilo que queríamos para uma noite passada a dois.
Cheguei até junto do Nico, ele estava com o seu pijama vestido e sorriu-me, deu-me a mão e levou-me até a cama, deitamo-nos em conchinha e ele começou a acariciar-me entre o pescoço, a minha barriga e a fazer-me festas no cabelo, que me causavam arrepios, não porque me soubessem mal mas pelo contrário, porque me sabiam bem demais. Colocou a sua mão sobre o fundo das minhas costas, aquela mão quente sobre o meu corpo sempre frio, ou melhor gélido, que me causou novamente arrepios, as diferenças eram notórias entre ambos, mas de uma certa maneira deixavam-me num á vontade que não era de forma alguma natural, nós completávamos e é a altura perfeita para dizer “os opostos atraem-se”. Voltei-me para ele e colocamo-nos frente a frente na cama, acariciei o seu peito e comecei a beijá-lo, e aquele momento exigia tudo de uma forma diferente, de dar um novo significado ao momento, de dizer “amo-te” de uma forma que não exigisse palavras mas sim uma ação diferente.
Acabamos por nos entregar ao momento, acabei por ceder às suas “investidas”, foi um momento completamente diferente daquele que já tinha vivido apenas uma vez, e com ele do meu lado. Causou mais algumas dores no início mas com toda a calma que reinava no seu coração e com toda a calma típica que ele vivia com o nosso amor acabaram por ser ultrapassadas e dar lugar aquela palavra que descreve todos os momentos de amor vividos a dois: "prazer".
Depois de o fazermos acabamos por adormecer, o Nico prometeu-me que quando saísse de casa me acordaria, e assim o fez. Acordou-me com um beijo nos lábios e disse-me:

-Amor não te trouxe o pequeno-almoço á cama que a minha mãe não deixou, mas trouxe uma caneca de leite com chocolate às escondidas. – Olhei para a mesinha de cabecinha e consegui ver. Dei-lhe um beijo rápido nos lábios e vi-o ir embora, bebi o leite todo e no final pude reparar na mensagem subliminar que vinha no fim, não podia acreditar…


Como irá reagir Rita a este pedido original?
O que será que irá responder? Como irá correr o passeio por Lisboa?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Capítulo 18: "Descobrir Lisboa Part 1"


Separei-me os nossos lábios, os nossos corpos que estavam colados, a minha vontade era de lhe dar um estalo mas ao mesmo tempo saber o que tanto o atormentava, ele não costuma ser inseguro antes pelo contrário, sempre me demonstrou que é muito seguro do que sente e do que nos une. E quando ele me disse aquelas palavras senti um balde de água fria cair sobre mim. Fiquei enervada, muito chateada mas mesmo assim pedir que ele me esclarecesse o porquê daquelas palavras:
-Deves estar parvo só pode! – Cruzei os braços e voltei as costas para ele. – Depois de te provar que te amo, depois de perder a virgindade contigo, de te apresentar aos meus pais, depois de te dar o Nini, tu ainda me vens com histórias que tens inseguranças próprias de quem ama? Já ouvi desculpa melhor Nicolás. – Ele tentou aproximar-se de mim, mas eu empurro-o para se afastar de mim, sento-me num canto da casa de banho, dobro as pernas, abraço as pernas e coloco a cabeça sobre os meus joelhos e fecho os olhos. O Nico segue-me, senta-se ao meu lado mas sem me tocar e responde:
-Não é nada disso amor. Eu amo-te, e tu amas-me e eu nunca duvidei disso, só quando acabaste comigo, aí sim é que senti que talvez não me amasses mas estou cada vez mais certo que o amor que nos une é sobrenatural, é sobre-humano. Já me provaste o que sentes e eu agradeço-te por tudo o que me dás, me provaste e que fizeste por mim, és a mulher da minha vida e cada vez sinto e acho que já estive mais longe de te pedir em casamento. – Tu estás a falar a sério Nicolás? Casamento? Nós nem há um ano nos conhecemos, namoramos há quase 3 meses e tu falas em casamento, fui apanhada de surpresa, claro que me quero casar com ele, ser mãe, quero viver isso tudo mas nunca pensei que acontecesse tão cedo, pelo menos não o pedido mas já sonhei com ele, quando estive internada e o Nico tinha ido dormir a casa, estava apenas no quarto com a minha mãe…

(Recordação)

Estou a apresentar um trabalho muito importante na minha universidade, essencial para concluir o curso, a plateia era muito grande e eu tremia de nervos mas até então tudo corria bem, mas de resto olho para o público e noto-os bastante distraídos, e algo a circular por todos, ainda tentei entender o que era sem ninguém entender mas não consegui, como já ninguém prestava atenção ao que apresentava, acabei por ficar calada durante algum tempo, e um rapaz sentado na segunda fila, levanta-se… Era o Nicolás, dão-lhe um microfone e ele começa a falar ao mesmo tempo que se aproxima do palco, sobre as escadas e eu digo:
-Nicolás o que estás a fazer? – A minha vontade era abraçá-lo mas também ir ver o que andava a circular pela plateia mas não o fiz, fiquei estática e deixei-o responder:
-Estou a fazer o que devia ter feito á muito tempo. – Ele tinha uma mão atrás das costas, retirou-a e deu-me um ramo de flores, mais precisamente um ramo de cravos vermelhos, embora eu gostasse muito de cravos brancos, não era a altura deles e como o vermelho simboliza o amor, perfeito ficou. Deu-mas, dei-lhe um abraço e dei-lhe um beijinho na bochecha e ele continuou. – A nossa história é recente, mas desde que começámos a namorar que sei que quero estar contigo para o resto da nossa vida. Eu amo-te demasiado e só de pensar em perder-te magoa-me, acho que não aguentava, mas não foi para falar de coisas tristes que vim aqui, vim demonstrar o quanto te amo e és importante para mim. Amo-te Rita e vou demonstrar-te eternamente o que nos une. – Colocou-se de joelhos, colocou a mão no bolso, tirou de lá uma caixinha pequena e abriu-a. Abri a boca, não esperava de modo algum aquela surpresa, ele retira o anel e eu estico a mão. E pergunta-me. – Queres casar comigo mulher da minha vida. – Fiquei sem reação mas aceno com a cabeça positivamente. Ele coloca o anel no meu dedo, depois levanta-se e eu abraço-o, beijamo-nos e depois ele dá-me a aliança dele e eu coloco no seu dedo. Com o passar do sonho, tudo foi evoluindo, enquanto preparávamos o casamento e eu acabei por desistir da faculdade, decidimos por bem sermos pais, engravido cedo, confesso que não estávamos á espera que acontecesse tão cedo adiamos o casamento e no preciso momento em que o meu filho ia nascer, no momento do parto a minha mãe acorda-me e eu acabo por não saber qual era o sexo do meu filho, isto porque quisemos esperar até ao nascimento.

(Fim de recordação)

-Claro que quero casar contigo, ter filhos, quero viver tudo isso contigo, tu completas-me, mas nunca tinhas demonstrado que tinhas dúvidas e confesso que me magoou um pouco, não esperava. – Levantei-me dei a mão e abracei-o, beijei-lhe no pescoço e sussurrei. – Desculpa Nico.
-Não tens de pedir desculpa, eu é que tenho por não conseguir amar-te sem medos, sem receios, por ser assim tão hesitante, gostava de amar-te cegamente mas o amor já me pregou partidas e não consigo amar como se não houvesse amanhã mas com o tempo tudo irá passar meu bem. – Beijamo-nos e depois fomos até ao restaurante onde a Dona Mi já nos esperava com a refeição já servida. Sentamo-nos e almoçamos muito divertidos e animados, a mentalidade da minha sogra é muito jovem, talvez porque também foi mãe cedo e sempre foi uma mãe moderna que tentou ser amiga e mãe ao mesmo tempo. O Nicolás pagou a refeição, embora a muito custo porque eu queria pelo menos ajudar a pagar mas ele usou o argumento quem convida paga. Como a Dona Mi nunca visitou Lisboa e eu tinha muito gosto em mostrar-lhe a cidade que me viu nascer e crescer, fiz questão de os acompanhar nesta visita guiada a Lisboa, também eles fizeram questão que os acompanhasse.












Visitamos o Mosteiro dos Jerónimos, muito animadamente, a Dona Mi estava encantada, não conhecia Lisboa e nunca tinha visitado um mosteiro daquela dimensão e beleza, acabamos a visita já era hora do lanche, fomos até aos Pastéis de Belém, bem perto do mosteiro e como podem imaginar demoramos algum tempo, mas nada que não valesse a pena, a minha sogra e o Nico adoraram aquela sobremesa.















E como ainda faltava um pouco para a hora do jantar decidimos visitar também a Torre de Belém, o Nico e eu já tínhamos visitado esse monumento mas agradou-nos tanto a ideia que decidimos depois passear á beira-rio e jantarmos por ali.
















Jantamos perto daquela zona e depois decidimos ir até um bar, o dia foi longo mas todos nós tínhamos energia para nos divertirmos. Mas acabamos por não adiantar muito a saída, pelo menos até ser quase manhã, no dia seguinte tínhamos de continuar o nosso passeio e o Nico tinha treino durante a manhã, o que significava que tenho de acordar cedo para passar a manhã com a minha sogra e prepararmos o almoço para os 3.
O Nico levou-me até casa e depois ia para sua casa, mas ao sair do carro e enquanto me despedia ele pergunta-me:
-Amor não queres ir dormir lá a casa? Assim evitas andar a fazer viagens desnecessárias.
-Só com uma condição vais comigo falar com os meus pais e avisá-los disso. – Sorri, a mãe dele olhou-nos seriamente porque não tinha entendido e o Nico logo explicou:
-Madre, yo estoy invitando a Rita para ir a dormir allí la casa y la única condición impuesta fue que iba a hablar a los padres para convencerlos. ¿Desea ir a cumplir con sus compadres? (Traduzido: Mãe, estou a convidar a Rita para dormir lá em casa e a única condição imposta foi ir falar com os pais e convencê-los. Queres conhecer os teus compadres?) A Dona Mi olhou-nos um pouco sem reação mas aceitou logo acompanhar-nos.
- Me ha gustado conocer a sus padres Rita, son grandes personas a educar le así y que te enseñan muchos principios y valores, no importa que se reúnen o es un poco temprano. (Traduzido: Eu gostava muito de conhecer os teus pais Rita, são pessoas fantásticas para te educar tão bem e te ensinarem tantos princípios e valores, não te importas que os conheça ou é um pouco cedo?) – O Nicolás estacionou o carro e ficou á espera da minha reação, aliás os dois olhavam-me em busca da minha resposta.
-Por supuesto no, mis padres será muy felices de saber de la señora que le dio vida al hombre de mi vida. (Traduzido: Claro que não, os meus pais vão ficar muito felizes em conhecer a senhora que deu vida para o homem da minha vida.) O Nicolás e a Dona Mi ficaram muito contentes por conhecer a minha família e eu ainda mais animada fiquei, era ainda mais outra prova de amor que fazia ao homem da minha vida. O Nico abriu a porta do carro, aliás fez questão de abrir as portas do carro para as suas mulheres como nos chamava, e fizemos o caminho até minha casa, abri a porta, e respirei bem fundo, estava nervosa e envergonhada, não era cedo e os meus pais o mais possível era já estarem a dormir e eu tinha de os acordar, e claro a minha sogra também iria conhecer o meu irmão, um nervoso miudinho corria em mim, mas também á minha sogra, isto porque o Nicolás estava super calmo.

Como irá correr a apresentação entre compadres?
Será que os pais de Rita vão autorizar ela dormir em casa dele? Como correrá o dia seguinte?